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Bolo-rei à portuguesa

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O Bolo-rei deste Natal, decorado com cidrão  e pêra de São Bartolomeu Não há mesa natalícia sem bolo-rei. Foi o rei da festa ao longo do século XX e promete sê-lo também no século XXI. Nos séculos anteriores, e até quase meados do século XX, os Natais da maioria dos portugueses viviam-se com outros doces, mas o bolo-rei foi ganhando lugar e protagonismo. Hoje, vende-se amiúde durante toda a época natalícia, na sua maioria de fraca qualidade, mas suficientemente enfeitado capaz de conquistar compradores que já se esqueceram do verdadeiro sabor de um bolo que nasceu para ser feito devagar:  bem amassado, fermentado o tempo necessário e enriquecido com ingredientes de qualidade. Consciente desta pobreza doceira, que aliás se estende a grande parte da nossa pastelaria, resolvi, há alguns anos atrás, fazer o meu próprio bolo-rei. E não me tenho arrependido. Entretanto tenho introduzido algumas novidades: farinha de trigo biológica e massa-mãe, o fermento natural feito em casa, ...

Bolinhos de jerimú

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As iguarias de Natal do Entre Douro e Minho O Natal tem as suas próprias iguarias que foram mudando ao longo dos séculos. Iguarias que, no passado não muito distante, se diferenciavam pela classe social. Nas mesas ricas estavam doces onde primavam os ovos, o açúcar, a amêndoa e o leite, enquanto os mais pobres deitavam mãos a recursos mais baratos e mais quotidianos como o pão, o mel, o vinho, a abóbora, algum fruto seco, que houvesse por casa, e pouco mais. Os ovos existiam mas não eram assim tão abundantes, porque se vendiam na feira para fazer uns trocos, necessários para os gastos quotidianos; o leite era mais abundante em terras do Minho mas, mesmo assim, vendia-se sempre que se podia; o açúcar era muito caro, consumindo-se doseado em dias especiais e quando a doença batia à porta. No Minho esta escassez é ainda hoje muito visível num receituário onde a criatividade saltou para a mesa em forma de verdadeiras iguarias. As rabanadas de vinho tinto, em substituição de leite; a aletri...

Porque comemos bacalhau no Natal?

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Chega o Natal e o bacalhau, mais uma vez, vai ser o rei da mesa natalícia. Mas também se come polvo e, em algumas comunidades piscatórias, cascarra (Vila do Conde) e litão (Olhão). Todos eram e são peixes secos que se comiam e comem tradicionalmente durante os tempos de Inverno quando os barcos não podem ir ao mar. Tempo de Jejum   Mas de todos estes peixes o bacalhau ganhou terreno. Pescado bem longe da costa portuguesa tornou-se paulatinamente o alimento quotidiano dos portugueses e também o da mesa de Natal. Mas porquê a tradição de se comer peixe nas vésperas do Natal? A prática religiosa católica assim o impunha. Todo o Advento era e é um tempo de abstinência e jejum, por isso a igreja recomenda o consumo de peixe por se considerar, desde tempos mais antigos, que o peixe era pouco nutritivo e pouco saudável e, por isso, mais propício para tempos mais contidos em termos alimentares. Ora, a véspera de Natal, é o último dia do Advento, logo tempo de comer peixe. Havendo est...