À custa do doente…. Come-se uma cabidela!
«O galo e a galinha», Johann Wenzel Peter (1745–1829) finais do século XVIII Museu do Vaticano Um dos pratos mais icónicos da nossa gastronomia é o arroz de cabidela, que os minhotos teimam em chamar de pica-no-chão defendendo, assim, a qualidade do frango, de criação caseira ou biológica, como sendo um atributo fundamental na confecção desta iguaria. Todavia, a história deste prato remete-nos para a importância da carne de aves no tratamento dos doentes e para a alimentação dos mais pobres que tudo aproveitava, inclusive o próprio sangue. No nosso país é muito difícil saber-se desde quando se enraizou este hábito, mas, se recuarmos aos receituários mais antigos, dos séculos XVI e XVII, localizamos o sangue numa receita de lampreia, na elaboração das morcelas, nos mondongos, no sarapatel, no sarrabulho e na confecção do «verde», um prato regional do Norte, feito à base das vísceras de diferentes animais, sangue, pão, ervas aromáticas e especiarias. Em 1780, Luc...








