Tomate ou Pomme d’amour?
Um destes dias li um texto francês dos inícios do século XIX sobre o tomate que me surpreendeu. Nessa altura este fruto era ainda uma novidade na Europa, embora, segundo Grimond de la Reynière (1758-1837), já estivesse bastante divulgado na Península Ibérica. Chamava-lhe aquele gastrónomo «pomme d’amour». Que bela designação para um fruto! E como ele deve ter deslumbrado os europeus quando chegou às mesas europeias, vindo das terras quentes da América do Sul, nos alvores do século XVI. Recuei por isso aquele século e percebi que foi o médico e botânico Joachim Camerarius que, em 1586, designou este fruto por «poma amoris», acompanhado de vários outros vernáculos como «poma aurea» ou «pomi d’oro». Chegou e encantou. Amarelo dourado ou vermelho rubro, em formato de coração, ácido o suficiente e a dar-se bem com os sabores europeus como a cebola, o alho, os orégãos e, obviamente, o azeite e o sal. E se os portugueses e espanhóis foram fiéis à denominação de «tomate», deri...








