Entre a mesa e a botica: os saberes e os sabores dos monges de Basto (1626-1834)
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| Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, 2026 |
Texto da Conclusão:
Demorava chegar a Refojos de
Basto. Longe da cidade dos arcebispos, entre o Minho e Trás-os-Montes,
chegava-se aqui tarde e cansado, depois de uma longa e tortuosa jornada por
entre carreiros e veredas, atravessando caminhos perigosos e rios sem pontes. Mas,
nem por isso, o mosteiro de Refojos de Basto, deixou de ser uma das casas
grandes da Congregação de São Bento e de, a partir daí, chegarem a Tibães e
depois a Lisboa, as mais interessantes iguarias que o Norte poderia oferecer
aos senhores da corte do império português.
Em Terras de
Basto havia o bom presunto e a boa manteiga, que brilhavam nas lautas mesas
lisboetas. Mas também a boa castanha seca que alimentava, durante o Inverno,
quase todo o Norte de Portugal. E o vinho, esse verde que ninguém queria, mas
que os monges transformaram em vinho quente e maduro e que chegou a exportar-se
para o Brasil. Mas daqui iam também pequenas delícias para a casa-mãe, em
Tibães, em tempos de capítulo-geral, como as perdizes e os coelhos, mimos que a
região oferecia graciosamente. O azeite, que aqui proliferou em vastos olivais,
e moído em moinhos com tecnologia de ponta para a época, foi também uma das
riquezas com que a região se engrandeceu.
Tudo isto à
volta de um Mosteiro, que com o passar dos séculos se foi avolumando,
tornando-se um bastião imponente de vida e desenvolvi mento que, como São Bento
previa na sua Regra, a todos acolhia. Através da portaria das gentes de pé,
oferecia-se comida e medicamentos, através das portas da igreja fazia-se
missionação, entrando por terras adentro com o ideário de vida proposto por
Bento de Núrcia.


