Bolo de noz

 

Hoje venho falar de uma receita. Foi oferecida por uma pessoa muito especial. Quando surgiu não sei, mas sei que tem atrás de si toda uma história que envolve a plantação de nogueiras nos quintais minhotos.

Quem viajar pelo Minho e observar a paisagem agrícola rapidamente percebe que a nogueira é uma presença constante. Numa região de povoamento disperso as árvores de fruto estão, desde o tempo dos romanos, próximas das casas, à volta delas, nos seus rossios e quintais. São as figueiras, as laranjeiras, os pessegueiros, as macieiras e pereiras, as ameixieiras, e naturalmente as nogueiras.

Introduzidas na Península Ibérica pelos romanos, estas árvores, de grande porte, destacam-se na paisagem imponentes e altivas. Nos seus ramos se aninham os pássaros, à sua sombra se fazem longas conversas em tardes e noites de Verão, mas, acima de tudo, o seu fruto constitui um importante recurso energético e nutricional garantindo o sustento das populações ao longo do Inverno. Nos séculos passados as nozes foram, com toda a certeza, um recurso alimentar importante, especialmente nos tempos em que o pão já escasseava, ou seja, entre janeiro e maio.

Se olharmos a gastronomia minhota observamo-las em poucas receitas. Apenas nas mesas e nos doces natalícios. Mas sabemos que elas estavam lá. Eram presença, eram alimento que saciava.

Por esta razão quando uma amiga de longa data, a Dra Margarida Vieira de Araújo, me surpreendeu, há uns anos, com uma receita de um bolo de noz, olhei-o de uma forma muito especial. Mas a história não acabava aqui. Este bolo vinha com outro enquadramento. Nos anos 30 do século XX era servido aos beneditinos que, por esses anos, viviam no Mosteiro de Tibães. A presença dos beneditinos naquele cenóbio deixou marcas na comunidade. Fizeram obra na igreja e na freguesia, construíram o cemitério, envangelizaram…

Quem lhes fazia a comida mimava-os de vez em quando com este bolo.

Esta receita fala-nos, por isso, de um tempo histórico, de um contexto social, de uma área geográfica, o Minho, onde os frutos da terra permitiram criar estas maravilhas gastronómicas.

Um bolo que é um pedaço de história! Uma receita simples, mas quem comer uma fatia come da terra de um qualquer quintal minhoto, come sobrevivência, come memória…


Bolo de Noz


INGREDIENTES:

NOZES (com casca) – 500 grms

AÇUCAR - 250 grms

OVOS - 6 (4 completos e 2 gemas)

PÃO RALADO – (finíssimo) 3 clhs sopa

CANELA em pó- 1clh chá

SAL – 1 pitada

 

COBERTURA: OVOS MOLES

AÇUCAR- 200 grms

ÁGUA - (metade do peso de açúcar)                                                                                      

OVOS - 7 gemas

 

Descascam-se as nozes (cada 1 que não se aproveite é substituída). Moem-se na máquina. Colocam-se num recipiente, onde se vão juntando e mexendo sempre os restantes ingredientes; açúcar, sal, ovos, canela e o pão ralado. Não é preciso bater, apenas mexer, envolvendo muito bem os ingredientes.

Untar um tabuleiro (26/18 cm) ou forma (22 cm), forrar com papel vegetal anti-aderente e vai ao forno pré-aquecido (170º/180º), durante 15/20 minutos. Antes de retirar do forno, verificar com 1 palito. Coloca-se o bolo no prato onde vai ser servido e cobre-se com ovos moles.

 

OVOS MOLES

Deita-se o açúcar e a água num tacho e vai ao lume (médio) a ferver até fazer ponto de espadana “leve”/”baixo”. Entretanto, separam-se as gemas dos ovos e passam-se por um passador. Quando o açúcar estiver no ponto certo, retira-se do calor, esfria um pouco e vão-se adicionando as gemas, mexendo sempre. Misturam-se bem estes ingredientes e volta o tacho ao lume para cozer as gemas e engrossar um pouco, mexendo sempre, até obter a espessura desejada. Estão prontos. Deixam-se esfriar um pouco e enquanto quentes cobre-se todo o bolo.

 

 

BOM APETITE!

 

 

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